BricolaBH
Há alguns anos, a contribuição de Belo Horizonte para a
MetaReciclagem tem sido quase que somente a "exportação de
belo-horizontinos", que saem da primeira cidade planejada do Brasil
para trabalhar com ações metarecicleiras e filo-metarecicleiras noutras
partes do país. No entanto, a implantação de um processo perene de
metareciclagem na cidade é ainda incipiente.
Vários motivos podem
ser apontados para explicar isso: a falta de uma cultura política
autonomista, a precariedade da formação política dos hackers e a falta
de formação hacker dos ativistas (ou seja, a separação entre técnica e
política na formação das competências); a existência de um mercado de
trabalho no ramo das "tics" que, apesar de dinâmico, só absorve os
profissionais sobrecarregando-os de trabalho.
No entanto, há
vários fatores que favorecem a construção de um laboratório de
metareciclagem: o amadurecimento de metodologias para a apropriação de
recursos de informação, comunicação e tecnologias alternativas
(inclusive econômicas e sociais) , ainda fragmentadas entre diversas
organizações estatais e não-governamentais; o recente surgimento de
iniciativas de comunicação autônomas como rádios livres e espaços
autonomistas; a forte tradição de produção experimental no audiovisual,
na música e nas artes cênicas; a existência de massa crítica em termos
de pessoas com competências específicas nas áreas de comunicação,
informática e artes; a existência de instituições de ensino técnico de
renome e empenhadas na investigação de educação tecnológica, inclusive
para públicos de baixa renda.
Diante destas condições, o Estilingue
, como uma proposição voltada para a investigação autônoma de
metodologias para a democratização da inovação tecnopolíticultural,
está construindo o projeto do BricolaBH.
Partimos da disponibilidade de uma infraestrutura de trabalho básica
(espaço disponível em endereço central e "simbolicamente imantado", com
conexão telemática e mobiliário adequado) e de algumas das competências
necessárias (principalmente as ligadas à comunicação, produção
audiovisual e planejamento tático). Estando na iminência de garantir
estas condições básicas, passamos a busca de parceiros institucionais,
com os seguintes perfis:
* Pessoas com competências na área de
software e hardware livre e interessadas em explorar esses campos como
exercício de direitos políticos (e criação de novos direitos)
* Instituições
de ensino médio e superior públicos e de qualidade que desenvolvam
projetos de democratização da tecnologia e de pesquisa metodológica
sobre inovação e aprendizado
* Redes de ação e/ou ONGs empenhadas
em atividades de democratização das comunicações e invenção de novas
formas expressivas, com capilaridade social.
Considerando
a natureza do projeto e dos pareceiros, definiríamos como OBJETIVOS a
realização das seguintes ações (das mais gerais às mais especificas):
1. Criar uma rede de práticas para desenvolvimento metodológico da metareciclagem
2. Assumir a inovação tecnológica (algoritmos e máquinas) de bricolagem colaborativa como uma forma de exercício da liberdade de expressão,
sem descontinuidade com a construção de meios de comunicação públicos e
democráticos (mídias independentes) e com a produção autônoma de formas
simbólicas ("conteúdos")
3. Pesquisar e desenvolver metodologias de inovação e aprendizado através de um hipertexto de jogos de improvisação para o aprendizado da expressão
4. Pesquisar e desenvolver ferramentas úteis para as organizações autônomas da sociedade civil,
em Belo Horizonte, através do aproveitamente de recursos sub-utilizados
nos arranjos da empresa capitalista, do consumo ostentatório e da
tecnoburocracia estatal.
5. Constituir um laboratório de pesquisa público não estatal, acessível ao cidadão comum em Belo Horizonte e, posteriormente, uma rede de espaços de inovação tecnopolicultural popular na cidade.
6. Oportunizar aos jovens que concluem sua habilitação técnica, nos estágios supervisionados obrigatórios,
o acesso a campos de aplicação de seus conhecimentos muito
diversificados (de ferramentas para organizações comunitárias à arte
contemporânea), para que reconheçam seu grande poder e responsabiliade
políticas e possam conectar sua formação técnica com seus interesses
culturais e políticos mais amplos (por exemplo, no caso dos alunos
interessados em artes e humanidades).
7. Garantir a auto-sustentabilidade da atividade, através do pagamento do trabalho dos envolvidos e da manutenção da infraestrutura do BricolaBH.
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